Dor no joelho e atividade física. A incidência é maior em mulheres?

Por que as mulheres que realizam atividade física apresentam maior incidência de lesões no joelho quando comparadas aos homens? Como prevenir tais lesões?

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Diversos estudos demonstraram que mulheres apresentam 2 vezes mais risco de desenvolverem Dor Femoropatelar e até 12 vezes maior probabilidade de sofrerem uma ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) quando comparadas aos homens. A DFP, a qual é considerada uma lesão por sobrecarga, apresenta caráter progressivo dos sintomas e tende a se perpetuar com a prática excessiva de atividade física. Inicialmente, as pacientes relatam apenas um incômodo na região anterior do joelho (atrás da patela) durante atividades de agachamento, corrida e subida e descida de escadas. Porém, tal incômodo pode evoluir e tornar-se incapacitante. Quanto às lesões do LCA, sabemos que até 80% das lesões ocorrem de forma atraumática durante a prática esportiva. Diversos estudos demonstraram que os sujeitos que tiveram a ruptura desse ligamento apresentam maior probabilidade de desenvolverem doenças associadas incapacitantes, como lesões meniscais e Osteoartrite. Além do aspecto físico, tal lesão gera um grande transtorno psicológico ao atleta, visto que o mesmo necessitará ausentar-se da sua prática esportiva por no mínimo 6 meses. Tal situação se agrava principalmente quando analisamos o cenário externo em que o atleta de elite está inserido, visto as inúmeras cobranças que o mesmo recebe.

Fatores anatômicos, hormonais e biomecânicos (relacionados à forma de execução de determinado gesto esportivo) tem sido associados com a maior incidência dessas lesões nas mulheres. Diversos estudos demonstraram que as mulheres, quando comparadas aos homens, apresentam um padrão de movimento que resulta em aumento da sobrecarga femoropatelar e sobre o LCA. Tal padrão é conhecido como Valgo Dinâmico e está representado na FIGURA 1.

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FIGURA 1: Padrão Valgo dinâmico do joelho observado durante a aterrissagem de um salto. Durante o movimento é evidente os movimentos excessivos de adução e rotação medial do fêmur que contribuem para que os joelhos dirijam-se para dentro (valgo do joelho).

Concomitantemente, as mulheres apresentam uma maior dependência dos músculos do quadril (principalmente dos músculos glúteos) para controlar os movimentos de todo o membro inferior. Dessa forma, uma fraqueza ou uma alteração neuromuscular desses músculos poderia colocar as mulheres em um cenário de maior risco para desenvolverem tais lesões.

Atualmente preconiza-se a realização de um treinamento neuromuscular para a prevenção dessas lesões. Inicialmente, tal programa fundamenta-se na realização de exercícios de conscientização da contração dos músculos do complexo lombo-pelve-quadril, em especial os músculos glúteo médio, glúteo máximo e transverso abdominal. Nessa primeira fase, o foco principal é ensinar aos pacientes a forma correta de realizar a contração dos mesmos e da importância que eles possuem (FIGURA 2).

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FIGURA 2: Exercícios de fortalecimento para o complexo lombo-pelve-quadril.

Após esse primeiro processo, exercícios específicos de fortalecimento são inseridos associados à atividade funcionais, como por exemplo, a realização de exercícios de agachamento unipodal e descida de degrau (FIGURA 3).

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FIGURA 3: Exercícios funcionais de estabilização lombo-pélvica

Finalmente, o treinamento pliométrico, consistindo na realização de atividades de salto, pode ser inserido principalmente para sujeitos que possuem rotineiramente tal atividade em sua prática esportiva. Inicialmente, ênfase deve ser dada ao aprendizado da técnica correta de aterrissagem (joelhos alinhados no plano frontal e realização de absorção da força de reação do solo de forma suave). Em seguida, exercícios mais complexos visando à melhora da performance são incluídos. Tal programa deveria ser incorporado ao treinamento dos atletas em começo de temporada e, principalmente naqueles que, após uma avaliação clínica inicial, apresentassem fatores de risco para o desenvolvimento de tais lesões.

Autor: Prof. Dr. Rodrigo Baldon. Fisioterapeuta formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde também concluiu seu Mestrado e Doutorado em Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia. Possui especialização em Fisioterapia Esportiva pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Possui experiência internacional (Fellow na University of Pittsburgh) e publicação de inúmeros artigos científicos nas revistas internacionais mais renomadas da área de fisioterapia. Possui formação em diversos conceitos de terapia manual, como Maitland, Mulligan, Neurodinâmica Clínica e, atualmente, está realizando a formação em Osteopatia. Ministra aulas em cursos de pós-graduação em fisioterapia e realiza atendimento diário na Revita Clínica

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