Economia da saúde. Isso me interessa?

O setor de saúde enfrenta muitos problemas no país. Ainda assim pode guardar boas oportunidades para o futuro.

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A economia da saúde nasce como um ramo dos estudos aplicados de Economia. Apesar de ser um campo de estudo bastante estruturado em países desenvolvidos, como Inglaterra, EUA e Canada, no Brasil pode-se dizer que está em fase embrionária, com poucos atores e estudos produzidos, mas que vem ganhando força como instrumento nas discussões de políticas de saúde no país.

Contudo a relação entre economia e saúde ainda é bastante conflituosa. Qual o valor da saúde? Qual a viabilidade financeira de uma instituição de saúde? É possível e ético avaliar uma instituição de saúde somente pelos aspectos financeiros? Quanto o Estado e os cidadãos estão dispostos a desembolsar por uma vida? Essas são algumas das perguntas que afastam economistas do tema da saúde e profissionais da saúde das discussões econômicas na sua área de atuação.

Ainda assim não é possível negar que economia e saúde estão ligadas de diferentes formas. Na década de 60 o Estatuto da Aliança para o Desenvolvimento, afirmava que a saúde se constitui como um pré requisito para o desenvolvimento econômico. Entre outros fatores que têm relevância para a economia, encontra-se as condições de saúde de sua população. De maneira simplificada, um indivíduo doente não é capaz de trabalhar, logo não é capaz de gerar riqueza através de seu trabalho; ao passo que um indivíduo que necessita de atenção de serviços de saúde gera, obrigatoriamente, custos que terão de ser pagos por alguém.

Fica claro a importância da gestão dos recursos de saúde e seus impactos na gestão de serviços: qual o nível de oferta? Como está espalhada a oferta de serviços? A que custo? Qual a eficiência e efetividade dos serviços (e aqui não entenda somente números de vidas salvas)?

A existência de tais questionamentos nos fazem entender a saúde não somente como um dos pilares para o desenvolvimento econômico, mas também como uma de suas consequências.

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FOLLAND, S.; GOODMAN, A. C.; STANO, M. A economia da saúde. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2008. 736p.

Alguns números

Apesar de sua distribuição desigual entre as diferentes classes de consumidores, observa-se uma maior participação dos gastos com saúde no PIB durante as últimas décadas, geralmente relacionada à mudanças na conjuntura socioeconômica do país, como os avanços da urbanização, industrialização, da renda e do emprego formal do país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o gasto com saúde no ano de 2006 representou 16% do PIB, com uma previsão de aumento para 19,6% em 2016, totalizando um valor estimado de US$ 4,1 trilhões. No Brasil, estima-se que os gastos com saúde devam chegar a 10,7% do PIB em 2050, já tendo representado 8,8% do PIB em 2009, sendo responsável por valor adicionado à economia na da casa de R$ 173 bilhões.

Segundo o grupo Contas Satélites, entre 2007 e 2009 os gastos com consumo final de bens e serviços de saúde no Brasil representaram em média, 8.5% do PIB, com as famílias respondendo pela maior parcela dos gastos, porém com o governo apresentando maior crescimento no período.

Os gastos com saúde oneram importante parcela do orçamento familiar, chegando a representar até 80% em algumas regiões do país. Outros estudos apontam como a quarta maior fonte de despesa no orçamento familiar a frente de gastos com educação. Com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) observou-se, ao contrário do que seria imaginável, uma redução dos gastos públicos em saúde. O que se observou foi uma deterioração dos serviços de saúde, permitindo a ampliação e segmentação do mercado privado de saúde, gerando um crescimento importante dos planos de saúde durante os anos 90.

Os estudos acerca dos gastos com saúde mostram existir relação com a renda familiar, isto é quanto maior a renda maior o gasto absoluto com saúde. Entretanto a maneira como se compõe os gastos diferem entre as diferentes classes de rendas estudadas; enquanto famílias com maior renda comprometem a maior parte de suas despesas com saúde com planos de saúde e similares, famílias de mais baixa renda gastam mais com medicamentos. É importante ressaltar que os gastos possuem maior impacto nas famílias de baixa renda, ainda que em valor absoluto os valores sejam crescentes

O setor privado de saúde atende cerca de 30% da população, que passa a ter, portanto duplo acesso aos serviços de saúde. Este fator pode representar uma alternativa ao congestionamento do serviço público, ainda que este seja por definição universal. Nesse contexto a maior cobertura pelo setor privado, pode diminuir as incertezas acerca do estado de saúde do indivíduo, o que no limite tende a aumentar a produtividade de um país, reduzindo os episódios de afastamento do trabalho, por exemplo.

Enquanto o aumento médio da participação dos gastos com saúde em relação aos gastos totais do governo sofreu em média uma variação positiva de 2.1% a.a., a variação dos gastos privados foi em média de 18,7% a.a., considerando gastos das famílias e das empresas.

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http://www.ccates.org.br/content/cont.php?id=19

Conclusão

Ainda que faltem dados e estudos a respeito da economia da saúde no Brasil, é possível observar que trata-se de um setor em plena expansão, com taxas de crescimento acima do previsto para o PIB nos próximos anos. Alguns fatores podem explicar o porquê disso, mas fiquemos com dois:

  1. É sabido que a população brasileira está envelhecendo. A expectativa de vida tem aumentado consistentemente ao longo dos anos. Além disso, apesar do momento de crise econômica que estamos vivendo, a tendência é que tenhamos uma renda média maior. Em resumo: teremos mais idosos e com relativamente mais poder econômico para dispender com gastos em saúde, em especial em uma idade que naturalmente os cuidados se elevam.
  2. A literatura aponta para um efeito renda com relação aos gastos em saúde, isto é, o indivíduo que vê sua renda melhorar, tende a gastar mais com saúde, em valores absolutos, pois a saúde é uma prioridade. Assim aquele indivíduo que não tinha por exemplo, acesso a um plano de saúde privado (seja pago por ele, seja pago por seu empregador), tende a compra-lo quando dispõe de renda para isso.

Assim, ainda que saibamos dos inúmeros problemas existentes na assistência à saúde no Brasil, é inegável que é um setor que oferece boas oportunidades para o futuro.

E você, está preparado para elas?

Autor: Diego de Freitas Espinoza. Fisioterapeuta pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP. Graduando em Administração pela Faculdade de Econômica, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto/ USP

 Referências:

BRASIL. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisca – IBGE, 2002.

BRASIL. Pesquisa de Orçamentos Familiares. [s.l.] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisca – IBGE, 2008.

CRISTINA, A. et al. A situação atual do mercado da saúde suplementar no Brasil e apontamentos para o futuro The current situation of the private health plans and insurance market in Brazil and trends for the future. Ciencia & Saúde Coletiva, p. 1421–1430, 2008.

GARCIA, L. P.; CLÁUDIA, A.; ANNA, S. Gastos com saúde das famílias brasileiras residentes em regiões metropolitanas : composição e evolução no período 1995-2009 Healthcare expenses of Brazilian families living in metropolitan areas : composition and trends during the period from 1995 to 2009. Ciência & Saúde Coletiva, p. 115–128, 2013.

IBGE. CONTA SATÉLITE DE SAÚDE. 37. ed. Rio de Janeiro: [s.n.].

NERO, C. DEL; MALIK, A. M. Gastos em saúde : os fatores que agem na demanda e na oferta dos serviços de saúde. Saúde e Sociedade, v. 9, p. 127–150, 2000.

NOY, S. New contexts, different patterns? A comparative analysis of social spending and government health expenditure in Latin America and the OECD. International Journal of Comparative Sociology, v. 52, n. 3, p. 215–244, 26 maio 2011.

POISAL, J. A et al. Health spending projections through 2016: modest changes obscure part D’s impact. Health affairs (Project Hope), v. 26, n. 2, p. w242–53, 2007.

http://www.fsp.usp.br/ecosaude/

http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5329

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Conhece a Quiropraxia?

Quiropraxia, especialidade da Fisioterapia

A Quiropraxia, no Brasil, está regulamentada como especialidade da Fisioterapia por meio da Resolução Coffito n° 220 de 23 de maio de 2001, de acordo com o Diário Oficial da União n° 108 de 05 de junho de 2001.

Link resolução Coffito: Clique aqui para ler a resolução do Coffito

A Fisioterapia em Quiropraxia (Fisioterapia Quiropráxica) é, portanto, uma Especialidade Fisioterapêutica de atendimento primário, dedicada  a diagnosticar e corrigir as disfunções relacionadas ao Complexo de Subluxação Vertebral, por meio de Técnicas Quiropráxicas que incluem a  utilização de tecnicas ajustivas  ou “Thrust” de baixa amplitude e alta velocidade (TABAAV), associadas a um conjunto de terapias físicas,  manipulativas , corretivas e de reabilitação traumatológica e ortopédica.

O Fisioterapeuta Quiropraxista é, portanto, o profissional que busca a promoção da saúde através da liberação do fluxo neurológico pleno por meio de ajustes e/ou manipulações, principalmente da coluna vertebral. Diversas outras técnicas e/ou recursos fisioterapêuticos podem ser agregados à Fisioterapia Quiropráxica, potencializando ainda mais os resultados. Isso faz do Fisioterapeuta um profissional altamente qualificado para tratar as mais diversas afecções neuro-músculo-esqueléticas.

Qual a Associação oficial da especialidade vinculada ao Coffito?

A Associação Nacional de Fisioterapia em Quiropraxia –  Anafiq,  é conveniada ao Coffito (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) e responde oficialmente por esta especialidade no Brasil.

Qual a escola credenciada Anafiq responsável pelo Curso de Quiropraxia oferecido pela Movbrasil?

Atualmente a ANAFIQ contempla 7 (sete) escolas em todo país, de acordo com o critérios estabelecidos pela Norma Regulamentar Anafiq n°001 de 13/11/2014. A Movbrasil firmou uma parceria com o CTCVertebral (escola credenciada Anafiq- Registro 003EC) para organização do Curso de Quiropraxia Clínica (Formação Básica 100h) na cidade de Ribeirão Preto-SP, atendendo aos quesitos mínimos de Formação em Quiropraxia estabelecidos em concordância entre a Anafiq e o Coffito.

O CTCVertebral é dirigido pelo Prof. Helder Nani Ricardo, ministrante do Curso de Quiropraxia Clínica (FB100h) em diversos lugares do Brasil.

 Lembramos aqui que a Movbrasil já tem parceria com outra Escola Credenciada Anafiq, o Instituto Livta (Registro 004EC), através da Formação Completa em Quiropraxia Instrumental (TIQ- Terapia Instrumental Quiropráxica). Ambos os cursos, Quiropraxia Clínica e Quiropraxia Instrumental fazem parte do Programa de Educação Continuada Anafiq e contam créditos para obtenção do Título de Especialista em Quiropraxia.

Como funciona a Formação em Quiropraxia para Fisioterapeutas Anafiq?

Em busca de legitimar cada vez mais a especialidade de Fisioterapia Quiropráxica, A Anafiq estabeleceu um consenso de ensino e competências técnicas mínimas a ser implantada a nível nacional. Assim sendo a titulação de formação de especialistas será fornecida pelas escolas credenciadas ou instituições de ensino superior autorizadas pelo MEC com dois anos de experiência clínica e formação mínima de 400hs em caso de especialização Latu Sensu , 500 para pós graduação profissional (FE) e 1500 horas para formação de especialistas profissionais “Master” (FEM) ou de programa de residência em Quiropraxia devidamente aprovado.

Níveis de Formação:

Link: Veja os níveis de formação!

Nível 1: Capacitação Básica em Quiropraxia Clínica : Mínimo de 100 hs

O presente nível de formação se justifica, pelo direito e a necessidade dos Fisioterapeutas de adquirir conhecimento de algumas técnicas de Quiropraxia a serem utilizadas em conjunto com o arsenal terapêutico do Fisioterapeuta. Poderão ser ministradas atividades complementares de até 30hs com prática clínica e atividades de estudo dirigido, para complemento da carga horária deste nível de formação. Após realizar este programa de aperfeiçoamento, o Fisioterapeuta poderá realizar outros programas de ensino em nível de aperfeiçoamento, residência e especialização na área de saúde, sendo estes credenciados e registrados na ANAFIQ, o aluno poderá somar os créditos (CH) de cada curso para obtenção de certificação de especialista com carga horária de até 1500 hs.

Nível 2: Formação de Especialistas em Quiropraxia : Entre 400 a 500 hs.

A Anafiq recomenda ao COFFITO que a certificação mínima e obrigatória para titulação do especialista seja a deste nível de capacitação que poderá ser obtida através das seguintes condições:

  1. Certificado de Pós Graduação “Latu Sensu” de IES (Instituição de Ensino Superior) devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), com carga horária mínima de 400 hs, não havendo a necessidade desta estar credenciada à ANAFIQ. Uma vez o curso cumprindo a regulamentação do MEC, não cabe a ANAFIQ questionar a qualificação do programa de ensino, devendo a mesma registrar o diploma, mediante experiência clínica mínima e pagamento das devidas taxas de registro. Os cursos com 360 poderão ser complementados em 40 hs através do PEC ( programa de ensino continuado) desde que devidamente registrado no Departamento Científico da ANAFIQ.
  2. Certificado de Curso de Formação de Especialista Profissional de Escola Credenciada: Neste caso será obrigatório o credenciamento da escola, com projeto de curso em cada nível de ensino que a escola pretende atuar. A certificação mínima é de 500 hs, podendo ser aproveitada a carga horária/créditos dos curso de capacitação do nível 1 de 100 hs ou de outros programas de PEC de até 100 hs. A ANAFIQ só registrará certificados de formação de especialistas profissionais nesta categoria com aprovação prévia do projeto de curso da escola credenciada.

Nível 3: Formação de Especialista Master em Quiropraxia: Mínimo de 1500 hs (FEM)

  1. Certificado de curso de Residência em Quiropraxia devidamente aprovado pelo COFFITO ou ANAFIQ com 1500 hs e com prática clínica mínima de 2 anos, com projeto previamente aprovado pelo departamento científico e pedagógico da ANAFIQ. Somente quando o programa de ensino alcançar a carga horária de 1500 hs caberá o aluno solicitar registro e expedição de certificado mediante ao pagamento das requeridas taxas.
  2. Certificado de Curso de Especialista Master em Quiropraxia de 1500 hs devidamente aprovado pelo COFFITO ou ANAFIQ com 1500 hs e com prática clínica mínima de 2 anos, com projeto previamente aprovado pelo departamento científico e pedagógico da ANAFIQ. Somente quando o programa de ensino alcançar a carga horária de 1500 hs caberá o aluno solicitar registro e expedição de certificado mediante ao pagamento das requeridas taxas.
  • PEC em Quiropraxia: São programas independentes de carga horária menor, de várias competências em técnicas e conhecimentos da área de Quiropraxia. Cada programa deverá ser devidamente registrado junto a ANAFIQ, cabendo a cada registro haver contribuição da escola.

Autor :  Helder Nani Ricardo, Fisioterapeuta (Crefito 34.564-F)

  • Mestre em Ciências da Saúde
  • Especialista em Quiropraxia aprovado pelo Coffito
  • Especialista Master (1500h) em Fisioterapia Quiropráxica pela Anafiq
  • Especialista Master em Fisioterapia Manipulativa pela Anafiq
  • Pós – graduado em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica
  • Formação em Quiropraxia (Ibraqui) e Quiropraxia Instrumental (Livta)
  • Formação em Osteopatia Estrutural, Postural e Visceral (IDOT),
  • Formação em Terapia Craniosacral (Inst. Upledger / em andamento)
  • Formação em Terapia Biocranial (ANQ)
  • Formação no Conceito Mulligan, Maitland e Mobilização Neural
  • Idealizador do Centro de Tratamento da Coluna Vertebral (CTCVertebral)
  • Membro, Sócio Fundador e Representante da ANAFIQ (Associação Nacional de Fisioterapia em Quiropraxia) no Estado de Minas Gerais

Dor no joelho e atividade física. A incidência é maior em mulheres?

Por que as mulheres que realizam atividade física apresentam maior incidência de lesões no joelho quando comparadas aos homens? Como prevenir tais lesões?

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Diversos estudos demonstraram que mulheres apresentam 2 vezes mais risco de desenvolverem Dor Femoropatelar e até 12 vezes maior probabilidade de sofrerem uma ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) quando comparadas aos homens. A DFP, a qual é considerada uma lesão por sobrecarga, apresenta caráter progressivo dos sintomas e tende a se perpetuar com a prática excessiva de atividade física. Inicialmente, as pacientes relatam apenas um incômodo na região anterior do joelho (atrás da patela) durante atividades de agachamento, corrida e subida e descida de escadas. Porém, tal incômodo pode evoluir e tornar-se incapacitante. Quanto às lesões do LCA, sabemos que até 80% das lesões ocorrem de forma atraumática durante a prática esportiva. Diversos estudos demonstraram que os sujeitos que tiveram a ruptura desse ligamento apresentam maior probabilidade de desenvolverem doenças associadas incapacitantes, como lesões meniscais e Osteoartrite. Além do aspecto físico, tal lesão gera um grande transtorno psicológico ao atleta, visto que o mesmo necessitará ausentar-se da sua prática esportiva por no mínimo 6 meses. Tal situação se agrava principalmente quando analisamos o cenário externo em que o atleta de elite está inserido, visto as inúmeras cobranças que o mesmo recebe.

Fatores anatômicos, hormonais e biomecânicos (relacionados à forma de execução de determinado gesto esportivo) tem sido associados com a maior incidência dessas lesões nas mulheres. Diversos estudos demonstraram que as mulheres, quando comparadas aos homens, apresentam um padrão de movimento que resulta em aumento da sobrecarga femoropatelar e sobre o LCA. Tal padrão é conhecido como Valgo Dinâmico e está representado na FIGURA 1.

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FIGURA 1: Padrão Valgo dinâmico do joelho observado durante a aterrissagem de um salto. Durante o movimento é evidente os movimentos excessivos de adução e rotação medial do fêmur que contribuem para que os joelhos dirijam-se para dentro (valgo do joelho).

Concomitantemente, as mulheres apresentam uma maior dependência dos músculos do quadril (principalmente dos músculos glúteos) para controlar os movimentos de todo o membro inferior. Dessa forma, uma fraqueza ou uma alteração neuromuscular desses músculos poderia colocar as mulheres em um cenário de maior risco para desenvolverem tais lesões.

Atualmente preconiza-se a realização de um treinamento neuromuscular para a prevenção dessas lesões. Inicialmente, tal programa fundamenta-se na realização de exercícios de conscientização da contração dos músculos do complexo lombo-pelve-quadril, em especial os músculos glúteo médio, glúteo máximo e transverso abdominal. Nessa primeira fase, o foco principal é ensinar aos pacientes a forma correta de realizar a contração dos mesmos e da importância que eles possuem (FIGURA 2).

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FIGURA 2: Exercícios de fortalecimento para o complexo lombo-pelve-quadril.

Após esse primeiro processo, exercícios específicos de fortalecimento são inseridos associados à atividade funcionais, como por exemplo, a realização de exercícios de agachamento unipodal e descida de degrau (FIGURA 3).

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FIGURA 3: Exercícios funcionais de estabilização lombo-pélvica

Finalmente, o treinamento pliométrico, consistindo na realização de atividades de salto, pode ser inserido principalmente para sujeitos que possuem rotineiramente tal atividade em sua prática esportiva. Inicialmente, ênfase deve ser dada ao aprendizado da técnica correta de aterrissagem (joelhos alinhados no plano frontal e realização de absorção da força de reação do solo de forma suave). Em seguida, exercícios mais complexos visando à melhora da performance são incluídos. Tal programa deveria ser incorporado ao treinamento dos atletas em começo de temporada e, principalmente naqueles que, após uma avaliação clínica inicial, apresentassem fatores de risco para o desenvolvimento de tais lesões.

Autor: Prof. Dr. Rodrigo Baldon. Fisioterapeuta formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde também concluiu seu Mestrado e Doutorado em Fisioterapia em Ortopedia e Traumatologia. Possui especialização em Fisioterapia Esportiva pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Possui experiência internacional (Fellow na University of Pittsburgh) e publicação de inúmeros artigos científicos nas revistas internacionais mais renomadas da área de fisioterapia. Possui formação em diversos conceitos de terapia manual, como Maitland, Mulligan, Neurodinâmica Clínica e, atualmente, está realizando a formação em Osteopatia. Ministra aulas em cursos de pós-graduação em fisioterapia e realiza atendimento diário na Revita Clínica

Alongar ou não?

Muitas pessoas realizam alongamento quando se exercitam ou antes e depois da pratica de esportes. Outros não alongam, porém sentem que deveriam. E algumas pessoas não vêem qualquer razão para realizar o alongamento.

As razões para alongamento são diversas. A maioria das pessoas acredita que alongar os torna mais flexível. Alguns acreditam que o alongamento reduz o risco de lesões, reduz a dor muscular tardia do exercício, ou melhora o desempenho esportivo. Os otimistas pensam que o alongamento faz todas essas coisas.

Mas nós realmente precisamos alongar para fazer exercícios?  E fazer alongamento aumenta a flexibilidade, reduz o risco de lesões, reduz a dor e melhorar o desempenho esportivo? A resposta é nem sim nem não.

A única maneira de os pesquisadores terem uma ideia, realmente clara, dos efeitos do alongamento é com a realização de ensaios clínicos randomizados. E o que dizem ensaios clínicos randomizados?

Em estudos randomizados, um método randômico é usado para alocar a cada participante determinado tratamento (neste caso, alongamento) ou não. Em seguida, os resultados (lesão, dor muscular ou desempenho desportivo) dos participantes do grupo que realizou alongamento são comparados com os resultados do grupo daqueles que não o fez. A diferença entre os resultados dos dois grupos promove alguns entendimentos sobre os efeitos do alongamento.

Os dois primeiros estudos sobre os efeitos do alongamento no risco de lesões, realizado com 2.631 recrutas do exército, mostrou que três meses de rotina de alongamento antes do exercício não apresentaram efeitos em relação a reduzir o risco de lesões. Um estudo mais recente sobre 2.377 pessoas ativas que se exercitavam de forma recreacional, tiveram resultados muito semelhantes: três meses de alongamento regular, tinham pouco ou nenhum efeito sobre o risco.

Juntos, esses estudos sugerem fortemente o alongamento não está relacionado com a redução no risco de lesões.

Uma série de outros estudos randomizados investigaram os efeitos do alongamento antes e depois da atividade física sobre a dor experimentada após o exercício. Eles sugerem que o alongamento reduz a sensação, mas o efeito é muito pequeno.

Uma revisão desses estudos concluiu que:

(  )…alongar o músculo, realizado antes ou depois do exercício, não produz reduções clinicamente importantes na dor muscular de início tardio em adultos saudáveis.

Flexibilidade e força

O existência de relação do alongamento com desempenho esportivo é menos clara, ou pelo menos, ainda mais complexa.

Poucos estudos randomizados mediram a performance esportiva como resultado. Em vez disso, a maioria tem estudado o efeito do alongamento em dois intermediários que sejam suscetíveis de afetar o desempenho esportivo: a flexibilidade e da capacidade dos músculos em gerar força.

Para entender os efeitos do alongamento na flexibilidade e na geração de força muscular, é necessário distinguir os seus efeitos agudos e crônicos. Efeitos agudos se manifestam imediatamente após um estiramento; enquanto que os efeitos crônicos se manifestam apenas após repetidas séries de alongamento, talvez mais de meses ou anos.

O efeito agudo do alongamento é um aumento da flexibilidade, depois de apenas alguns segundos ou alguns minutos de alongamento, as articulações se movimentam mais livres. Mas esse efeito é transitório, uma vez  terminada as sessões de alongamento, a flexibilidade retorna aos níveis pré-alongamento.

É possível, mas menos certo, que o alongamento tenha também efeitos crônicos sobre a flexibilidade. Alongamento regular pode estimular adaptações de músculos e outros tecidos, os quais provocam aumentos duradouro na flexibilidade.

Observações cotidianas sugerem que é verdade, porque bailarinos e professores de yoga, que se alongam muito, tendem a ser mais flexível do que o resto de nós. Mas, enquanto parece óbvio que alongamento regular torna as pessoas mais flexível, revelou-se extremamente difícil a demonstração através de experimentos controlados.

Alongamento faz as pessoas tolerarem mais tempo em determinada postura. Ou seja, ele faz as pessoas se sentirem capazes de entrar em posições mais alongadas. E esse aumento da tolerância ao alongamento pode fazer as pessoas sentiram que são mais flexível, mesmo quando não são.

De qualquer forma, os efeitos do alongamento na flexibilidade – aguda ou crônica – poderiam ser exploradas para melhorar o desempenho de alguns esportes. Parece provável que ginastas, por exemplo, poderiam ter um melhor desempenho se fossem mais flexíveis. De modo mais geral, parece provável que o alongamento pode aumentar o desempenho em esportes que exigem flexibilidade.

A outra forma de alongamento afetar o desempenho é através de seus efeitos sobre a capacidade dos músculos de produzir força.

A conclusão mais clara que surge a partir de estudos em seres humanos é que o alongamento produz tipicamente uma pequena redução, temporária na força de músculos alongados.

Isso sugere que pode ser imprudente alongar os músculos imediatamente antes dos esportes que requerem a geração de grandes forças musculares.

E aí alongar ou não, eis a questão?

Para os indivíduos ativos, estes resultados da pesquisa sugerem que alongar  pode ter um benefício muito pequeno e provavelmente não irá fazer mal nenhum. Se você gosta de alongamento, então alongue-se. Se você não gosta de alongamento, pode não fazê-lo e não precisa se sentir culpado por não fazê-lo.

Para os atletas de alto nível, há mais variáveis em jogo e que torna a decisão bem mais difícil. Alongamento pode aumentar o desempenho em esportes que exigem muita flexibilidade, mas pode diminuir temporariamente a força muscular; faz mais sentido alongar se você é um corredor de obstáculos do que se você é um levantador de peso.

Estas conclusões vêm com algumas ressalvas. Em primeiro lugar, a maior parte da investigação sobre os efeitos do alongamento, investigou os efeitos “estáticos” alongamento – alongamentos que são aplicados e sustentados por um tempo curto. Há muitas outras maneiras de se realizar o alongamento, mas a maioria tem sido o assunto de pequena investigação, ou apenas a pesquisa de má qualidade.

Outra ressalva é que, embora bastante se sabe sobre os efeitos agudos do alongamento, muito menos se sabe sobre seus efeitos crônicos. Ninguém tentou realizar um estudo randomizado dos efeitos do alongamento regular ao longo do períodos de anos.

Pode ser que, a longo prazo, o alongamento regular tenha efeitos importantes. Então, talvez pode ser que os efeitos a longo prazo do alongamento possam ser prejudiciais, ou que não haja nenhum efeito a longo prazo em tudo: nós simplesmente não sabemos.

Da mesma forma, uma boa evidência da superioridade de um método de alongamento ao relação a outro, ou dos efeitos a longo prazo de determinados tipos de alongamento, não existe.

Para terminar com uma nota mais positiva: enquanto parece que o alongamento parece não estar correlacionado com minimização do risco de lesões, há boas evidências de que o aquecimento faz diferença. Um intenso e bem estruturado, aquecimento ativo, pode reduzir substancialmente o risco de lesões, dessa forma tente realize isso da próxima vez que você se exercitar.

Texto Traduzido e Adaptado pela equipe MovBrasil – Original  

Dor e o Sono ——

O sono é um fenômeno biológico essencial, e privação do sono provoca várias alterações fisiológicas e comportamentais no corpo. Tem sido demonstrado que a privação total de sono (Shuch-Hofer et al, 2013). Ou privação do sono de um estágio específico do sono (Roehrs et a, 2006;.. Azevedo et al, 2011) causa hiperalgesia (sensibilidade exagerada à dor) . Além disso, as pessoas que dorman-blue-pajamas-400x400mem menos de 6 horas ou mais de 9 horas parecem ter maior frequência de dor auto-referida (Edwards et al., 2008). O ciclo vigília-sono eo sistema de modulação da dor partes que regulamenta sistemas neurobiológicos (Foo e Mason, 2003), que podem ajudar a explicar a relação entre o sono ea dor.

O National Sleep Foundation relata que a maioria dos pacientes que sofrem de dor crônica também sofrem de distúrbios do sono. Claro, a dor crônica pode levar à fragmentação do sono e falta de sono restaurador, e por que contribuem para a exacerbação da dor. A exacerbação da dor pode levar a um sono mais perturbado e um ciclo vicioso de dor exacerbada e sono perturbado com provável impacto sobre a qualidade de vida da pessoa. Além disso, as alterações no padrão do sono, tais como a má qualidade do sono, pode ser associado com o desenvolvimento de estados dolorosos. Uma revisão recente realizada pela Finan et al. (2013) aponta para o fato de que prejuízo do sono é um preditor mais forte e mais confiável de dor do que a dor é de prejuízo do sono. Esta informação dirige-nos a considerar que as intervenções podem abordar prejuízo do sono em pessoas com dor crônica.

Há provas objetiva e subjetiva (por meio de questionários sobre o sono, e polissonografia, respectivamente) que o exercício físico é capaz de melhorar os padrões de sono em indivíduos saudáveis ​​(Keedlow et al., 2015). Particularmente em pacientes com insônia, o exercício regular leva a benefícios ao longo do tempo, sendo comparável a farmacoterapia ea terapia comportamental (veja rever Keedlow et al., 2015). Pilates, por exemplo, melhora a flexibilidade e a força muscular e também melhora a qualidade de vida e foi mostrado ser capaz de melhorar a qualidade do sono (Caldwell et al, 2009 e 2010;. Leopoldino et ai, 2013).

Em um estudo empírico, o nosso grupo investigado fragmentação do sono e dificuldade em manter o sono (manter o sono), em duas mulheres de meia idade. Após 6 meses de exercício duas vezes por semana para uma hora e meia, as mulheres tratadas tiveram melhorias do sono, tanto em medidas objetivas e subjetivas, mesmo que seja um relato de caso, este estudo sugere que a fisioterapia pode ser usado reduzir a insônia (Llanas et al., 2008). Além disso, encontramos que a ioga diminuiu relatos subjetivos de insônia em mulheres pós-menopáusicas, em um estudo randomizado, composto por três grupos: controle (n = 15), alongamento passivo (n = 14) e yoga (n = 15), a uma hora duas vezes por semana, durante quatro meses (de 2012 Afonso et al.).

A nova avenida de investigação sobre a relação entre o sono e exercício também está sendo desenvolvido, com o aumento da atividade física a ser prescrita não apenas como um tratamento para melhorar a qualidade do sono e eficiência, mas também trazendo outros “efeitos contralateral” benéficos, como a melhoria da freqüência cardíaca variabilidade, humor, fadiga, aumento do consumo de energia, mudando a composição corporal e melhoria dos hábitos saudáveis ​​para a vida. Sono saudável deve ser encorajada entre as sessões de exercício para promover “off line” aprendizagem (consolidação da memória quando não fazer o exercício, que pode acontecer durante o sono) das habilidades praticadas na fisioterapia ou do exercício de reabilitação (Walker et al., 2002 ; Attarian et ai, 2014)..

Além disso, a National Sleep Foundation acaba de lançar um relatório, ainda não publicado, sobre a relação entre dor e sono títulos “Como a dor afeta o sono,” O relatório está disponível em seu site (clique no link anterior). Neste estudo, eles argumentam que priorizar o sono e melhores hábitos de sono é necessário para uma melhor qualidade de saúde. Por exemplo, os americanos com dor crônica têm um sono de dívida média de 42 minutos / semana, quando comparados aos não-dor sofre.

Uma maneira simples para promover o sono e melhorar a sua qualidade e quantidade é a higiene do sono, uma intervenção comportamental, que é extremamente importante para todos, desde crianças a idosos. Em nossa sociedade 24/7, aplicando-o em nossa rotina diária leva algum tempo e paciência, como comportamentos são difíceis (mas não impossível!) Para modificar, por isso temos de ter persistência e incorporar uma regra de cada vez. As principais recomendSleepações para uma boa higiene do sono são: estabelecer uma rotina regular para ir para a cama e levantar-se; criar um ambiente agradável para dormir com uma cama confortável, um lugar calmo, e uma temperatura agradável; usando o quarto apenas para dormir (sem comer, ler ou assistir TV, comprimidos, ou qualquer atividade que pode interromper o processo de dormir – a idéia aqui é associar sua cama com o sono); não fique na cama, se você não pode dormir ainda, você deve sair da cama, andar pela casa ou ler um livro, por exemplo, e em seguida, tentar dormir novamente; evitar cochilos diurnos (embora um cochilo muito rápido depois do almoço pode ser benéfica em alguns casos); evitando o uso de medicamentos para dormir (exceto aqueles prescritos por razões médicas); ter refeições única luz à noite, mas não ir para a cama com fome ou sede; limitando a ingestão de líquidos antes de ir para a cama para evitar ir ao banheiro durante a noite; evitar cafeína e álcool ou outras bebidas e alimentos estimulantes antes de dormir (Robillard et al, 2015.); praticar atividades de relaxamento antes de ir para a cama, como um que tem um banho morno ou uma massagem; e tendo o exercício físico regular (Stepanski e Wyatt, 2003).

Fonte: http://www.bodyinmind.org/sleep-pain-exercise/

Exercicios

Infelizmente, as pessoas tendem a subestimar o papel do exercício na saúde. O exercício não é apenas para ficar em forma; a maioria iria se surpreender com a variedade de condições de saúde importantes que pode ser ajudado pelo tipo certo de exercício. Exercício pode ajudar milhões de pessoas, desde bebês até idosos.

Foram pesquisados Pedro (que celebra seu 15 º aniversário em outubro de 2014) para encontrar cinco condições de saúde comuns comprovadas por estudos clínicos de alta qualidade para benefício do exercício.

Dica 1: treinamento muscular do assoalho pélvico melhora da incontinência urinária em pessoas com stress ou qualquer tipo de incontinência urinária
O exercício é a primeira linha de tratamento para incontinência urinária. A incontinência urinária é estimado para afetar mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. A melhor maneira de melhorar isso é aderindo a exercícios específicos.

Dica 2: Exercício terapêutico diminui a dor e melhora a função em pessoas com osteoartrite do joelho
O exercício tem tamanho efeito semelhante ao tratamento farmacológico em osteoartrite de joelho. Pessoas com osteoartrite do quadril também são susceptíveis de beneficiar do exercício. Mais de 10% das pessoas acima de 60 anos sofrem de osteoartrite do joelho, com as mulheres mais susceptíveis de serem afectadas do que os homens. Muitas pessoas poderiam se beneficiar do tratamento livre de drogas que tem o mesmo tamanho de efeito como medicamentos, sem os mesmos efeitos colaterais.

Dica 3: O treinamento físico diminui a morte, falta de ar e fadiga e melhora a saúde, qualidade de vida e função em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica
Estima-se que 64 milhões de pessoas tiveram a doença pulmonar obstrutiva crônica em todo o mundo em 2004 e é um exercício muito pode fazer para compensar os efeitos da doença respiratória crônica.

Dica 4: Programas de exercícios diminui a incidência de quedas eo risco de queda para os idosos que vivem em casa
Em todo o mundo, 37,3 milhões de quedas ocorrem a cada ano que são graves o suficiente para exigir atenção médica. É um problema mundial, principalmente entre aqueles com mais de 65 programas de exercícios são uma forma de combater o risco. Exercício do balanço é o mais eficaz.

Dica 5: programas de intervenção precoce para prematuros reduzir atraso motor
Mais de um em cada dez bebés, ou 15 milhões de bebês por ano, nascem muito cedo. Os sobreviventes podem enfrentar uma vida de deficiência. Estudos mostram que os programas de fisioterapia para esses bebês ajudá-los com habilidades de movimento.